TAPAUÁ (AM) – A Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Rio Purus (FOCIMP), presidida por José Raimundo Pereira Lima (mais conhecido como Zé Bajaga e etnia questionada por vários movimentos), volta a ser acusada de interferência em processos eleitorais e decisões do Coletivo Indígena de Caciques e Tuxauas dentro das aldeias do Purus, no Amazonas.
https://www.tudoamazonia.com.br/uploads/arquivos/2026/01/ata-1.pdf
Esta é a ata de nossa Assembleia dos Caciques e Tuxauas de Tapaua , tivemos a eleição, e quem ganhou foi o Geovan Leoncio de Oliveira , ele e do nosso lado , nao e indicação da Focimp ou da Funai , por isso que eles nao querem que o Geovan entre como coordernador da UTL tapaua
Noticias recentes sobre o processo de organização socio-comunitário-familiar nos territórios que rejeição a gestão dessa entidade dão conta de que as decisões tomadas em Assembleias de Caciques e Tuxauas das aldeias do município de Tapauá (principalmente dos rios Ipixuna e região) estão sendo contestadas pela Coordenadora deposta da Comissão Técnica Local (CTL), Luciana Bandette da Silva.

Indígenas não-aldeados e empregados fazem "coro" com nomeações políticas de brancos para órgãos indígenas. Evento acima, homologou indicação de MABI CANIZO (UB) com salário de R$ 18 mil na AGSUS, com apenas o Ensino Médio. Dep. Átila Lins (PSD) e o padrinho.
A destituição da coordenadora ocorreu durante realização de Assembleia Geral Extraordinária dos Caciques e Tuxauas que decidiu pela saída de Luciana Bandette da Silva apoiada pela FOCIMP e os antigos coordenadores regionais da Fundação dos Povos Indígenas (FUNAI), em Lábrea, no interior do Amazonas.
Desabafo dos membros do Cacicado que "a FOCIMP tenta inviabilizar as decisões dos Caciques e Tuxauas"
A substituição foi feita por maioria absoluta de votos dos líderes e indígenas aldeados. No mesmo processo, em votação livre e democrática, para o lugar da ex-Coordenadora foi indicado e eleito Geovan Leôncio de Oliveira, Secretário de Paisagismo e Cultura do município.
Em uma decisão inédita, apesar da resistência oferecida por setores da Coordenadoria Regional, em Lábrea, foi destituído, também, o responsável pela Casa de Saúde Indígena (CASAI) alegadamente por agressão ao Cacique José Alves, da Aldeia Ponta do Evaristo “por não apresentar boas maneiras e atitudes decentes para com os indígenas”
.
Cacique LEVI, Aldeia Taruma-Mirim, em Manaus, lavrou a Ata da Eleição, por maioria absoluta, do novo Coordenador da CTL de Tapaua/AM
As substituições foram celebradas em Assembleia Geral dos Caciques e Tuxauas. Apesar de regularizadas e reconhecidas legalmente, porém, viriam enfrentando resistência por parte da diretiva da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Rio Purus (FOCIMP).
Para a entidade, segundo informações, “os Caciques e Tuxauas não teriam autonomia para decidir sobre substituições por se tratar de cargos inerentes a contratação formal e que as mudanças poderiam seguindo regras estabelecidas pela FUNAI, em Brasília”.
Indígenas denunciam repressão sob a gestão da drª. LUCIANA BRANDETTE DA SILVA, coordenadora destituída do cargo e protegida do presidente da FOCIMP
A reportagem não encontrou o presidente da FOCIMP para se manifestar a respeito da citação da entidade e responder sobre possíveis irregularidades no tocante á assembleia Geral dos Caciques e Tuxauas, assim como, na homologação do substituto de Luciana Badette da Silva e Geovan Leôncio de Oliveira, eleitos para a Coordenadoria Técnica Local (CTL) e Casa de Saúde Indígena (CASAI) dos territórios indígenas do município de Tapauá.
DESCASOS SEMPRE – Outros problemas que incomodam os indígenas - e estão registrados na ata de eleição e das substituições propostas pelos Caciques e Tuxauas dos territórios, em Tapauá - dizem respeito a questão de saúde das famílias. “Os atendimentos médicos demoram para ser feitos em casos de emergência/urgência chegar nas aldeias, além de convivermos com a falta medicamentos de qualidade e profissionais especializados”.

BO atesta ameaça, coação e constrangimentos ilegais aos povos indígenas das aldeias do município de Tapauá, no Amazonas
Outro motivo de preocupação apontada pelas lideranças indígenas presentes à Assembleia Geral dos Povos Indígenas do município de Tapauá, é com relação ao quadro reduzido de Agente Indígena de Saúde (AIS) e Agente Saneamento Básico Indígena (ASBI). Segundo eles, “sabemos da grande quantidade que o Governo Federal manda para a saúde indígena”.

DENUNCIA GRAVE: Caciques e Taxuas informam que a FOCIMP pode ter influenciado a presidente da FUNAI, Joenia Wapichana, a reconhecer território ilegal dentro de terras já demarcadas. O caso será levado a Justiça Federal, mas, há foi informado as autoridades competentes no Amazonas.
Em Lábrea, indígenas Apurinã, Paumari, Jamamadi, Baré, Jawara, Deni, Karipuna e outros que perambulam nas ruas da cidade não se furtam em denunciar a situação crítica da saúde, da falta de escolas adequadas e da infraestrutura precária das aldeias.
Em conversa reservada, os mais esclarecidos afirmam que “brancos da SESAI negam combustível pra gente voltar com nossos parentes que chegam doentes”. E na Casa de Saúde Indígena (CASAI), em Lábrea, “muitos chegam a morrer depois de tomar remédios errados, como o Cacique da nossa aldeia, Amika Jamamadi”. O caso não foi investigado porque a FUNAI não informou ao Ministério Público Federal, diz indígena local.

Os territórios já demarcados pela FUNAI, segundo informações de autoridades geodésico manauaras consultadas na terçá-feira (06.12.26).
Em situação de estado preocupante, segundo a presidente da Organização Indígena do Baixo e do Médio Rio Purus (OIBPM), Marinete Adriano Batista, da etnia Apurinã, “estão nossas crianças e adolescentes que continuam sem escolas adequadas, cuidados e proteção na primeira infância”. Às crianças e adolescentes se juntam os indígenas da terceira idade.

Enquanto "ZE BAJAGA" ostenta na Europa (Turkya), DSEI teve o Coordenador demitido por estupros (IP-DPF/RO), Rami SAID celebra nomeação e pacientes indígenas padecem nas CASAI de Lábrea e TAPUA.
Enfim, como justificativa para fundamentar o pedido coletivo da gestora da Comissão Técnica Local (CTL), Luciana Bandette Da Silva, os Caciques e Tuxauas, na inicial da assembleia geral, “é que ela não responde às necessidades e demandas das aldeias além de deixar todos os parentes sem cobertura por falta de administração e de suposta omissão na fiscalização contra invasões dos territórios, bem como, não cumprir o calendário de visitas às aldeias”.

Por sua vez, interlocutores confirmaram que a ex-Coordenadora destituída, em ato contínuo aos casos pontuais, a CTL perdeu os prazos de vigência para os programas sociais e econômicos colocados pelo Governo Federal para o exercício fiscal de 2025, por meio da FUNAI e de outros ministérios.
- Os prazos foram perdidos e não temos como recuperá-los em 2026 em prol das melhorias das aldeias, acrescentou o Cacique Francisco da Aldeia Trevo.
PROBLEMAS CRÔNICOS – As notícias recentes no Brasil confirmam denúncias contínuas de interferências externas nos processos de organização indígena, principalmente através de atividades ilegais (garimpo, grilagem, extração ilegal de madeira, pesca predatória, roubos de essências e de espécies da fauna e flora amazônica, crimes pouco combatidos) além das lideranças que insurgem contra conhecidos exploradores que se utilizam, também, de pressões políticas e econômicas – como ocorre na mesorregião amazonense do Purus.
De acordo com dados oficiais e de bancos de informações de caráter independente, os principais tipos de interferências nas aldeias indígenas e as notícias relacionadas sobre o avanço dos crimes de usurpação do patrimônio indígena, incluem:
- Invasões de Terras e Atividades Ilegais: A principal forma de interferência ocorre pela invasão física dos territórios por garimpeiros, madeireiros, grileiros e narcotraficantes. Essas invasões geram conflitos violentos, ameaças às lideranças e danos ao patrimônio e aos recursos naturais, impactando diretamente o modo de vida e a organização social das comunidades.
- Pressão Legislativa e Política: Organizações indígenas, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), denunciam a interferência de projetos de lei e decretos (como a tese do marco temporal, a Lei 14.701/2023, projetos de lei sobre mineração e hidrovias) que buscam flexibilizar a proteção territorial e permitir atividades econômicas incompatíveis com a preservação de seus territórios. Essas ações políticas são vistas como uma forma de interferir nos direitos já conquistados e nos processos de demarcação.
- Projetos Econômicos Governamentais e Privados: Há denúncias específicas de povos como os Munduruku sobre a inclusão de rios em planos nacionais de hidrovias (como a Ferrogrão), sem a devida consulta prévia, livre e informada, o que representa uma interferência direta em seus territórios e modos de vida.
- Conflitos Internos e Judicialização: Em alguns casos, as tensões geradas pela pressão externa acabam se refletindo em conflitos internos nas comunidades. O Poder Judiciário, em certas ocasiões, tem decidido pela não intervenção em conflitos estritamente internos, reconhecendo a autonomia das comunidades.
As organizações indígenas têm usado a visibilidade de eventos como a COP30, realizada em Belém do Pará, e a Corte Interamericana de Direitos Humanos para denunciar essas violações sistemáticas e exigir a proteção de seus direitos e territórios.
No caso específico da Federação das Organizações e das Comunidades Indígenas do Médio Rio Purus (FOCIMP), essa entidade é acusada de suposta documentação falsa em nome de lideranças do Coletivo Indígena para, segundo Caciques aldeados, “sustentar seus dirigentes em empregos e indicações de brancos por políticos a órgãos indígenas no Amazonas”.


Comentários: