Um dos fenômenos mais fascinantes da natureza voltou a ocorrer às margens do rio Guaporé, em São Francisco do Guaporé, na fronteira entre Rondônia e a Bolívia. É a temporada de desova das tartarugas-da-Amazônia, um espetáculo que combina beleza, renovação e conscientização ambiental.
Nesta época do ano, milhares de tartarugas deixam as águas do rio e sobem às praias de areia para cumprir um dos ciclos mais importantes da natureza: a reprodução. Cada fêmea deposita, em média, 100 ovos em ninhos cavados na areia. Os filhotes devem nascer no início de dezembro, quando ocorre o retorno das pequenas tartarugas ao rio.
Durante as próximas semanas, a movimentação se repete em diversos pontos do rio Guaporé, atraindo biólogos, ambientalistas e curiosos que acompanham o processo de perto. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou as fiscalizações para combater o comércio ilegal dos ovos e dos animais, uma prática criminosa que ameaça a espécie.
A ação conta também com o apoio de voluntários da ONG Ecovale, que trabalham na proteção dos ninhos e na conscientização da população local. Segundo a organização, as chuvas fora de época atrasaram a desova em cerca de dois meses, mas a expectativa é positiva para este ano, com a previsão de um número expressivo de ninhos e filhotes.
O ciclo de desova das tartarugas-da-Amazônia é considerado um verdadeiro tesouro natural, símbolo da vida e da resistência da fauna amazônica.

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