MANICORÉ (SUL DO AM) – A parte maior dos trabalhadores garimpeiros nativos que ainda atua ilegalmente ao longo do Vale do Rio Madeira ao menos três décadas deixou de acreditar na “boa vontade” de intermediários que insistiriam na regularização da atividade minerária no Estado do Amazonas.
Os bombardeios e queimas de dragas e "escarifucas" (balsinhas de até 4 polegadas) começaram com grande intensidade a partir de 2023 - e foram intensificados 2025.
Em Porto Velho (RO), situação semelhante ocorre desde os anos 2012-25. Nesse período, conhecidos grupos econômicos e políticos viriam tentando continuar com a mesma estratégia do passado, a de obter com a classe política a manutenção de licenças já anuladas e não a organização da categoria.
As ruas da cidade de Humaitá/AM, nas vezes que há combates (?) desiguais são transformadas em praça de guerra: intolerância de ambos os lados?
Já no Amazonas, a ocupação ilegal ocorre desde o século passado. A invasão começou com a entrada de cooperativas rondonienses em áreas não licenciadas, a partir da divisa com o distrito de Calama (Porto Velho) até o limite do município de Humaitá com os vizinhos Manicoré e Novo Aripuanã.
Medo e provocação.
Das três cooperativas existentes com foro no estado de Rondônia, uma delas “se arvorou dona de quase todas as áreas de ocorrências auríferas no Amazonas”, Já em 2019-23, “todas as matrículas e licenças de operação começaram a cair, ainda em 2019-22, na inicial, com o governo Jair Bolsonaro autorizando bombardeios e queima de dragas e balsinhas de até quatro polegadas”, revelam garimpeiros nas ilhas Brasileira, do Gavião e Belmont, no Baixo Madeira.
Sob os olhos do mundo, até aqui, nenhuma intervenção institucional rumo a Manaus e a Brasília, gerou solução governamental a "república garimpeira nativa ao longo do Rio Madeira", segundo analistas.
Em 2017, a cidade de Humaitá foi tomada por turbas de garimpeiros ilegais insatisfeitos com a forte repressão nos garimpos ilegais durante operações da Polícia federal e Força Nacional de Segurança. A reação nas ruas levou os insurretos a incendiar as sedes do IBAMA, ICMBio e em veículos dos dois órgãos.

- A cidade ficou ingovernável e virou um grande campo de batalha entre garimpeiros e forças federais destacadas pelo governo Michel Temer (MDB), lembra assíduo frequentador das rodas de conversas na frente do prédio da Colônia de Pescadores Z-31, em Humaitá.

Em 2024-25, diante do estado de caos em que se transformou as cidades de Porto Velho (RO), Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Borba, no Vale do Rio Madeira – e mais pelo lado amazonense -, por conta e risco de garimpeiros ilegais ou rebelados, “grupos políticos e econômicos despacharam intermediários para as colônias de dragas e balsas a fim de os convencerem a resistir aos impactos da repressão policial e da fiscalização ambiental”.

Procuradores da República, André Luiz Porreca Ferreira Cunha e David Dos Santos Cavalcante (PR- AM), representante da WWF, Ariane Cerqueira. Líder garimpeiro, Mauri Do Pernambuco, Cel/EB CMA. ALLAN, prefeito Dedei Lobo..todos na discussão do projeto regulatório dos garimpos do Madeira.
Nesse biênio, forças de segurança atacaram impiedosamente os equipamentos utilizados na extração ilegal de ouro nas áreas do Baixo Rio Madeira (Estrada do Belmont, ilhas Brasileiras, distritos de Nazaré, São Carlos e Calama, município de Porto Velho). Seletivamente, atingiram todo o complexo de dragas e balsas ilegais flagradas e/ou não, em operação no leito do rio e ancoradas nas encostas.

Comunidade trapiche Rio madeira

Os episódios provocaram um duro bague no conglomerado político, financeiro e econômico que ao longo de anos “estaria por trás dos donos de dragas, balsas e das compras de ouro que atuam no Vale do Madeira, em Porto Velho (RO) e Manaus (AM)”. Ainda assim, os garimpos ilegais, outra vez, deixaram em xeque prefeitos, advogados e pretensos líderes garimpeiros que defendem a regularização dos garimpos, em Rondônia e Amazonas.
De acordo com consultores especializados no segmento da mineração corporativa e que atuaram nos mercados da Amazônia, Sul e Sudeste brasileiro, a retomada ilegal das atividades garimpeiras, após as operações que implodiram mais de 600 dragas e confiscou ouro, coloca em risco o processo de suposta legalização dos garimpos por Brasília.

Enfim, surge uma nova Cooperativa cuja meta é o licenciamento ambiental de áreas para exploração sustentável do ouro por Cooperados mineradores familiares, totalmente organizados.
ATUALIDADE – Dezesseis áreas de praias com ocorrência de ouro existentes consideradas ainda totalmente ilegais no lado amazonense do município de Humaitá foram mapeadas no início deste século, próximo à realização de um seminário internacional sobre atividades garimpeiras sustentáveis promovidas pela antiga diretiva da MINACOOP (Cooperativa de Garimpeiro e AGROFLORESTAL), entidade devidamente legalizada com o apoio do ex-deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO).

A liberação de áreas para lavras garimpeiros demandam contratação de profissionais, entre os quais, Biólogo, Geólogo, engenheiro Ambiental além de consultor jurídico especializado em Legislação Ambiental e Mineral, a exemplo dos Consultores e ou o próprio dr. William Freire.
O presidente Luiz Inácio LULA da Silva encaminhou o requerimento de legalização aos ministérios do Meio Ambiente, Minas e Energia, ao antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e ao crivo do Conselho Segurança Nacional (CSN). A legalização das áreas sob a jurisdição da MINACOOP, em Rondônia e parte do Amazonas, foi aprovada.
O domínio das áreas ia da divisa do município de Guajará-mirim, entre Porto Velho (RO) a 600 metros adentrando o rio Maici, já no lado amazonense do município de Humaitá. “Os ilegais, no entanto, nos anos de 2015-2022, sob a proteção de investidores de fora dos estados de Rondônia e Amazonas levaram à bancarrota e omissão contumaz a primeira e histórica cooperativa legalizada, plenamente, pelo Governo Federal na Amazônia Ocidental Brasileira”.

