BRASÍLIA (DF) – Classificada com um bem precioso da Natureza, castanheiros da Amazônia Brasileira (principalmente da mesorregião amazonense do Purus) continuam cada vez mais pobres em pleno Século 21, é o que afirmou nesta sexta-feira (14) o consultor jurídico deste portal, João Lemes Soares, 54, ao constatar que essa situação ainda perdura por conta de más gestões das diretivas de Cooperativas sob o comando de políticas exploratórias de uma só família ou grupos sem expressão para enfrentar o mercado.
De acordo com estudos, o atual momento de crise no setor passaria pelo movimento castanheiro regional por falta de planos de negócios eficientes, de transparência nas contas, pagamento irrisório ao produtor nativo, “totalmente do contexto apresentado pelo mercado”.
O suposto “calote” de R$ 1 milhão pode ter levado o movimento castanheiro para o fundo do poço devido à falta de gerenciamento e transparência nas contas de todos os gestores das cooperativas desse importante e estratégico segmento da mesorregião amazonense do Purus. Outras empresas do setor tentam obter anistia paras as próprias dívidas, “o que poderá gerar um efeito cascata em outras empresas, também, com dívidas impagáveis”.
- O mercado não estar bom para os castanheiros endividados de Lábrea e do Purus, principalmente, agora, que apareceu rombos inexplicáveis, o que levou alguns dirigentes a apelar aos credores, apontou o consultor Lemes Soares.
Segundo ele, uma possível anistia da dívida histórica da COOPMAS pode levá-la ao Tribunal de Contas e a exigir, em plenas eleições gerais de 2026, do Governo amazonense, por meio da Agência de Fomento (AFEAM), explicações dos valores concedidos durante um possível de anistia. Apesar da interferência do deputado estadual Adjuto Afonso (UB) – que é presidente da Assembleia Legislativa (ALEAM), um novo favorecimento aquém tomou dinheiro público fácil e não investiu R$ 1 milhão do empréstimo no setor.
- O parlamentar pode ter caído numa arapuca política e fiscal em troca de suposto apoio para a reeleição sem que a COOPMAS esclarecer para quê, para onde e para quem foi destinado R$ 1 milhão, sem o conhecimento dos cooperados, deduziu o consultor.
ENTENDA O CASO – A Agência de Fomento do Amazonas (AFEAM) financiou situação crítica porque passa uma das três cooperativas de beneficiamento de castanha da Amazônia criadas por uma única família já levou uma delas à bancarrota.
“E pode ter gerado uma política de desconfiança em todo o setor produtivo, não só em Lábrea, mas, em todo o interior do Amazonas onde há empresas com a mesma atividade fim que a das concorrentes existentes ao longo das calhas dos rios amazonenses”, acrescentou o especialista sobre o assunto.
Sabe-se, no entanto, que o complexo castanheiro e de outros produtos regionais no Purus, como a cadeia do Açaí, “vive em constante crise conta da resistência do mercado que já não aceita o trabalho forçado e recusa-se a comprar os produtos, se exportados”. O consultor disse ainda que, “tomar o dinheiro público emprestado requer transparência de 100% na sua aplicação sem qualquer desvio de finalidade”.
A situação de duas outras cooperativas, criadas por um único conglomerado familiar, também vem sendo visto com desconfiança por cooperados, associados e agricultores que enfrentam dificuldades para vender seus produtos à vista ou receberem na data acordada pelas Cooperativas. Lábrea, segundo testemunhas, “há anos que os pagamentos fora do prazo não são atualizados”.
Apesar da castanha e o açaí serem um bem maravilhoso ofertado pela Natureza, os agricultores (coletores) parecem viver “num absoluto estado de miséria, assistindo péssimos dirigentes de empresas sustentadas por trabalhadores e trabalhadoras desfrutarem dessas riquezas enquanto o silêncio das autoridades amazonenses permeia alongando crises no setor”.
A cidade de Lábrea (a cerca de 2.345 quilômetros do Distrito Federal, DF) já foi considerado um grande centro produtor de castanha da Amazônia, da borracha (Látex da Amazônia) e de outros produtos da floresta. Com a decadência dos seringais e a dizimação de castanhais pelo agronegócio bovino e madeireiro (principalmente no Sul do município e nas reservas extrativistas e indígenas), já experimenta crises sem-fim por conta do estado considerado de abandono proposital dessas áreas atribuídas à falta de políticas públicas para esses setores.
A Cooperativa Mista Agroextrativista do Sardinha, foi criada em 2009 é sediada no município de Lábrea, no Amazonas. Ela deveria organizar a produção, o beneficiamento e a comercialização de produtos da sócio biodiversidade de ribeirinhos e povos indígenas da região do Médio Purus, “de maneira a fazer jus aos recursos recebidos e faturados cujas sobras e lucros deveriam ser distribuídos entre cooperados e/ou associados, diz o consultor com base no estatuto da empresa criada pelo falecido Antônio MALVEIRA e o parceiro Astrogildo Oliveira da Costa, não encontrados pelos contatos (97) 3331-1453/9184-0346.
- TRISTE HISTÓRICO – Em sua atuação, a COOPMAS não conseguiu emergir apesar de todo o apoio governamental e privado (leia-se AFEAM, Banco do Brasil, programas de acesso financeiro à cadeia produtiva da castanha, óleos vegetais como Copaíba, Andiroba, Murumuru e o Tucumã) oriundos do extrativismo sustentável na Amazônia em todas suas gestões.
Em crise permanente, apesar de figurar no passado recente com receita positiva, segundo credores, trabalhadores e trabalhadoras locais “não garantiu renda justa e autonomia frente a atravessadores, empobreceu e considerada totalmente falida”. Agora, os novos dirigentes tentam o perdão de uma das dívidas com o Governo Amazonas no valor de R$ 1 milhão sujeita à correção de mercado.

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