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Domingo, 17 de Maio de 2026

Policial

Empresas de fachada, apoio de servidores e acesso a informações sigilosas: como era a estrutura do CV voltada ao tráfico no AM

Uma complexa rede montada pelo Comando Vermelho contava com a colaboração de agentes ligados ao executivo, legislativo e judiciário. Operação da polícia nesta sexta (20) tenta desarticular o esquema criminoso.

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Empresas de fachada, apoio de servidores e acesso a informações sigilosas: como era a estrutura do CV voltada ao tráfico no AM
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Um esquema estruturado pelo Comando Vermelho (CV), que tinha a colaboração de agentes públicos, atuava de forma organizada para trazer drogas da Colômbia e distribuir a partir do Amazonas. A rede montada pela facção contava ainda com empresas de fachada e acesso a informações sigilosas sobre investigações da polícia.

As informações são da Polícia Civil do Amazonas, que deflagrou nesta sexta-feira, uma operação com 23 mandados de prisão em seis Estados. Catorze pessoas haviam sido presas até a última atualização desta reportagem, entre elas a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, três ex-assessores de vereadores e um servidor do Tribunal de Justiça. (veja a lista completa abaixo)

A investigação teve início após uma apreensão de 500 tabletes de skunk e a prisão de um homem em flagrante. Na ocorrência, a polícia identificou uma estrutura de transporte da droga que contava com um carro utilitário para o transporte da droga, duas embarcações e sete fuzis. Celulares também foram apreendidos na ocasião.

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Durante o inquérito, a polícia descobriu uma cadeia de comando com operadores logísticos, financiadores e colaboradores que facilitavam o esquema criminoso. Eles eram divididos de maneira organizada, com tarefas delimitadas e núcleos operacionais.

💰A estimativa da polícia é que a quadrilha movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018.

A facção tinha ainda rotas definidas para trazer a droga da Colômbia e distribuir os entorpecentes pelo país a partir do Amazonas. Para isso, empresas de fachada, nos ramos de transporte e locação, foram criadas. Elas eram usadas para ocultar a movimentação dos valores oriundos do tráfico, segundo a polícia - análises indicam incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.

Além disso, a cobertura logística dessas empresas 'fantasma' maquiava o transporte das drogas, dando suporte logístico ao Comando Vermelho. Carros também eram alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento pelas autoridades.

Os elementos reunidos apontam, ainda, indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais que atrapalhassem o tráfico.

Operação apura organização criminosa do Comando Vermelho com núcleo político no Amazonas — Foto: Lucas Macedo/g1 AM

Operação apura organização criminosa do Comando Vermelho com núcleo político no Amazonas — Foto: Lucas Macedo/g1 AM

Veja a lista dos presos pela polícia no AM

 

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara

Até a última atualização desta reportagem a polícia não havia detalhado a participação de cada um dos alvos no esquema. O g1 procura a defesa dos presos na operação.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado na operação. A Corte afirmou que preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade e que não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais.

Já a Universidade do Estado do Amazonas declarou que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional. Sobre Adriana Almeida Lima, a instituição esclareceu que eventuais ações realizadas fora das dependências da universidade e do exercício das atividades acadêmicas são de responsabilidade exclusiva da professora. A UEA reafirmou compromisso com a ética, a legalidade e as normas que regem o serviço público.

 
FONTE/CRÉDITOS: Por Alexandre Hisayasu, Maria Eduarda Furtado, Sabrina Rocha, Rede Amazônica, g1 AM
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HENRIQUE FERRAZ

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