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Quinta-feira, 27 de Agosto 2026
Policial

MPRR pede inclusão de casal de pastores foragido na lista da Interpol

Casal é acusado de crimes sexuais contra adolescentes e está foragido há mais de um mês

TUDO AMAZÔNIA
Por TUDO AMAZÔNIA
MPRR pede inclusão de casal de pastores foragido na lista da Interpol
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O Ministério Público de Roraima (MPRR) pediu a inclusão de um casal de pastores na lista vermelha da Interpol, em uma tentativa de facilitar a localização e a prisão dos dois. Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, são investigados e denunciados por crimes sexuais contra adolescentes em Boa Vista.

Segundo o Ministério Público, os dois estão foragidos desde julho, quando a Justiça decretou a prisão preventiva do casal. O pedido de inclusão no sistema internacional de procurados busca ampliar as possibilidades de localização caso eles estejam fora do Brasil.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) com apoio do Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública de Roraima, começou em abril, depois que o responsável por uma adolescente de 14 anos procurou a polícia para denunciar o caso.

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Polícia identificou seis possíveis vítimas

De acordo com o inquérito, seis adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, relataram ter sido vítimas dos investigados.

Segundo a investigação, o casal teria utilizado a posição de liderança religiosa para se aproximar das adolescentes e conquistar a confiança delas. A polícia aponta que os suspeitos teriam usado a influência exercida dentro da igreja para manipular as vítimas e dificultar que os crimes fossem denunciados.

Outras cinco garotas apresentaram indícios de possível abuso, mas não chegaram a prestar depoimento formal durante a investigação, segundo informações divulgadas sobre o caso.

O Ministério Público afirma que a atuação dos pastores envolvia uma relação de confiança construída dentro do ambiente religioso.

Segundo investigação, religião teria sido usada para manipular vítimas

Os investigadores identificaram um padrão de comportamento atribuído ao casal.

Segundo o relatório policial, Wenderson faria uma aproximação inicial de maneira cordial e

“brincalhona”

enquanto Arielly seria responsável por criar proximidade com as adolescentes, oferecendo atenção e fazendo convites.

A investigação aponta ainda que os suspeitos teriam isolado as vítimas, utilizado interpretações de passagens bíblicas para justificar os atos investigados e explorado o temor que algumas adolescentes tinham diante da autoridade exercida pelos líderes religiosos.

Em alguns relatos, as vítimas teriam recebido dinheiro, transferências via Pix ou outras vantagens para que mantivessem os acontecimentos em segredo.

Casal deixou Boa Vista após denúncias

Segundo o depoimento de uma das vítimas, o casal teria deixado Boa Vista em 27 de abril, levando dinheiro proveniente de dízimos e ofertas da igreja.

Desde então, os investigadores tentam localizar os dois.

A Justiça decretou a prisão preventiva de Wenderson e Arielly em julho, mas os mandados ainda não foram cumpridos. Com os dois foragidos, o Ministério Público recorreu à possibilidade de inclusão dos nomes no sistema da Interpol para aumentar o alcance das buscas.

A chamada difusão vermelha é utilizada para solicitar a localização e a prisão provisória de uma pessoa procurada em outro país, conforme os procedimentos de cooperação internacional.

Wenderson responde por mais crimes

Segundo a denúncia apresentada pelo MPRR, o pastor Wenderson Lima de Souza é investigado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.

Já Arielly Kamila Moraes de Souza responde por acusações de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

O Ministério Público também pediu à Justiça que os dois sejam condenados e que paguem indenizações por danos morais às vítimas.

Para Wenderson, a denúncia pede R$ 560 mil em reparação. Para Arielly, o valor solicitado é de R$ 195 mil.

Terceira pessoa também foi indiciada

A investigação identificou ainda uma terceira pessoa ligada ao caso.

Uma mulher de 20 anos foi indiciada sob suspeita de fraude processual e corrupção de menores. Segundo os investigadores, ela teria apagado arquivos e possíveis provas armazenadas no telefone celular de Wenderson.

A atuação atribuída à jovem teria dificultado a preservação de informações importantes para a investigação.

O inquérito foi concluído e encaminhado ao Judiciário, enquanto as autoridades continuam apurando a possibilidade de existirem outras vítimas.

Igreja funcionava em Boa Vista

Wenderson e Arielly eram responsáveis por uma igreja localizada no bairro Cinturão Verde, na zona Oeste de Boa Vista.

De acordo com informações obtidas durante a investigação, a congregação foi registrada em 2022 em nome do pastor, enquanto a ata de fundação da instituição é de agosto de 2021.

O casal ocupava posições de liderança na igreja, com Wenderson como presidente e Arielly como vice-presidente. A instituição era apresentada como uma organização religiosa evangélica sem fins lucrativos.

As atividades religiosas eram divulgadas nas redes sociais e incluíam reuniões e estudos relacionados a temas familiares e religiosos.

A investigação aponta que foi justamente a posição ocupada pelo casal dentro da igreja que teria facilitado a aproximação com algumas das adolescentes.

Ministério Público busca ampliar as buscas

Com o casal ainda fora do alcance das autoridades brasileiras, o pedido de inclusão na Interpol representa uma tentativa de ampliar a cooperação para localizá-los.

Caso sejam encontrados em outro país, os procedimentos dependerão das regras de cooperação internacional e das autoridades locais responsáveis pelo cumprimento da ordem.

Enquanto isso, o processo segue na Justiça de Roraima. O Ministério Público também mantém as investigações para identificar possíveis novas vítimas e reunir outros elementos sobre os crimes atribuídos aos denunciados.

A inclusão na Interpol não representa uma condenação. Wenderson e Arielly são acusados e investigados no processo e têm direito à defesa e ao devido processo legal.

FONTE/CRÉDITOS: Redação NC News

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