Nos bastidores de uma pequena cidade rondoniense cujo nome faz referência a uma santa, um assunto tomou conta das rodas de conversa, dos grupos de WhatsApp e até das filas das padarias. E não foi inauguração de obra, entrega de ambulância nem anúncio de emenda parlamentar.
Segundo a mais recente edição da Rádio Peão FM, retransmitida simultaneamente em dezenas de grupos de WhatsApp, um prefeito recém-empossado teria adquirido um suposto pacote de conteúdos íntimos de uma dama da cidade. Até aí, cada um administra sua vida particular como bem entender. O problema teria surgido na modalidade de pagamento.
Dizem os fofoqueiros de plantão que a moeda escolhida não foi dinheiro, PIX ou cartão de crédito. O acordo, segundo a lenda urbana municipal, previa o plantio de grama no terreno da residência da moça, incluindo a parte da frente da propriedade.
O combinado parecia simples: vídeos de um lado, gramado verdinho do outro.
Mas, conforme a história ganhou capítulos, o jardim prometido não floresceu. A grama não chegou, o terreno continuou careca e a paciência da credora teria secado mais rápido que pasto em época de estiagem.
Foi então que entraram em cena os personagens indispensáveis de qualquer escândalo municipal moderno: advogados, prints, áudios vazados, testemunhas de ocasião e especialistas em tudo que frequentam grupos de WhatsApp.
A cada hora surgia uma nova versão. Uns garantiam que existia acordo. Outros afirmavam que nunca houve compromisso algum. Alguns juravam possuir provas irrefutáveis. Outros apresentavam provas tão confiáveis quanto corrente prometendo fortuna para quem compartilhar a mensagem com vinte contatos.
O enredo atingiu seu auge quando começaram a circular comentários de que funcionários e equipamentos públicos teriam aparecido para resolver a questão paisagística que, curiosamente, teria começado como uma negociação particular.
Na prática, a cidade passou a discutir uma questão inédita na administração pública brasileira: onde termina o paisagismo urbano e começa a jardinagem afetiva?
Um observador político resumiu a situação com precisão cirúrgica:
"Eu já vi prefeito asfaltar rua, patrolar estrada e reformar praça. Agora, cumprir acordo particular com plantio de grama é uma inovação administrativa que merece estudo acadêmico."
Enquanto isso, os moradores seguem acompanhando cada novo capítulo da novela. A oposição procura explicações. Os aliados tentam mudar de assunto. Os fofoqueiros trabalham em regime de plantão. E a grama, verdadeira protagonista dessa história, continua sendo o item mais comentado do município.
Se a história é verdadeira ou apenas mais uma daquelas lendas políticas que nascem nos grupos de WhatsApp, ninguém sabe ao certo.
Mas uma conclusão já foi alcançada pela população: nunca um simples gramado gerou tanta repercussão, tantos comentários e tanta criatividade em uma única cidade do interior.
E como costuma dizer o velho sábio da praça: "Quando a fofoca envolve prefeito, advogado, WhatsApp e grama, a colheita de comentários é garantida."

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