A Prefeitura de Macapá está sendo alvo de uma ação na Justiça após a interdição do Shopping Popular, ocorrida no final de novembro. A informação foi apresentada neste domingo (7), pelo Folha de São Paulo.
O empreendedor Elieldo Almeida Marques, que diz representar os comerciantes do local, acusa o município de ter utilizado um laudo técnico irregular — e possivelmente falso — para justificar a retirada de mais de cem trabalhadores.
Laudo que apontava risco estrutural é colocado em dúvida
A interdição foi realizada com base em um parecer supostamente produzido pela empresa Nunes & Souza Consultoria e Construção, indicando risco de colapso parcial e recomendando o isolamento imediato da estrutura.
No processo, porém, aparecem autos de infração do Crea-AP, que identificou diversos problemas no documento:
- Ausência de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), obrigatória para esse tipo de análise.
- Engenheiro assinante sem registro para atuar no Amapá.
- Profissional não consta como integrante da equipe técnica da empresa.
Empresa nega ter emitido o parecer
A proprietária da Nunes & Souza, Lívia Fernanda Costa Juca, registrou boletim de ocorrência afirmando que desconhece totalmente o laudo atribuído à sua empresa.
Ela relatou ter tomado conhecimento do documento apenas após ser notificada pelo Crea sobre a ausência do ART.Lívia também declarou que o engenheiro que assinou o parecer não faz parte da empresa, pedindo investigação por possível falsificação de documento público.
Corpo de Bombeiros não identificou risco iminente
Outro ponto destacado no processo é um relatório do Corpo de Bombeiros do Amapá, que não encontrou sinais de perigo estrutural que justificassem o fechamento imediato.
Segundo a corporação, foram observados apenas danos de baixa complexidade, compatíveis com o desgaste natural de um prédio em funcionamento:
- Fissuras não estruturais
- Desgaste de revestimentos
- Problemas superficiais
A instituição se mostra favorável à reabertura, condicionada apenas a reparos simples.
Prefeitura diz que ainda não foi notificada
Procurada pela reportagem do Folha, a gestão do prefeito Dr. Furlan (MDB) informou que ainda não recebeu notificação oficial da ação judicial.
Em nota, garantiu que todas as medidas adotadas seguem critérios técnicos e que só se manifestará formalmente após ciência do processo.
Comerciantes falam em prejuízo e motivação política
O autor da ação afirma que a interdição ocorreu de maneira repentina, sem abertura de processo administrativo. Ele também aponta possível motivação política, já que o Shopping Popular foi construído na gestão do ex-prefeito Clécio Luís (Solidariedade) — atual governador do Amapá e possível adversário de Dr. Furlan nas eleições de 2026.
Segundo ele, a interrupção das atividades deixou cerca de 121 pequenos comerciantes sem alternativas de trabalho.Sobre o Shopping Popular Inaugurado em 2021, o espaço reúne 121 boxes e se tornou um ponto importante de comércio popular em Macapá.

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