BOCA DO ACRE (AM) – Nesta sexta-feira (25), apesar das chuvas fortes que caíram na região, os rios Purus e o Madeira vêm dando sinais de que a cheia deste ano pode estar com seus dias contados até a chegada do verão amazônico. É que a subida e descida das águas já apresentam níveis mais baixos em comparação à última grande enchente que se deu em 2014.

Panorama da cheia visto de uma escola para o Rio Purus
O prefeito Frank de Barros (MDB), de Boca do Acre, segundo dados divulgados por uma conhecida rede de rádio e televisão da Capital Manaus, “o número de desabrigados teria chegado aos 3,5 mil”. Porém, a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Defesa Civil, no período inicial, apresentaram índices desencontrados de desabrigados no Município.
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Para analistas e políticos locais, “alegadamente houve visível divergência nos números divulgados pelo prefeito bocacrense e ficou de resto a nítida impressão de que ele tentou super dimensionar o número de desabrigados”. Apontaram, ainda, que os rios Acre e Purus chegaram a baixar ate 26 centímetros durante as últimas semanas, ficando a alagação a meio barranco no entorno da cidade.

Ribeirinhos de volta às suas casas depois de reunião com a Prefeitura de Lábrea
“Ainda assim, nesse bate e rebate de números e cotas para se encontrar uma explicação esclarecedora, mesmo o rio tendo baixado até 26 centímetros, a Prefeitura de Boca do Acre não se manifestou a respeito dos locais onde essas pessoas foram cadastradas nem os prejuízos totais em perdas de plantações, animais ou o número exato de desabrigados através da Defesa Civil do município confirmados pelo Estado e da União”, acrescentaram fontes.

Frank DE BARROS, prefeito de Boca do Acre (2o da direita para a esquerda) teve número de desabrigados contestados
A situação de Boca do Acre, segundo informações, “é mais preocupante nas áreas de várzea, onde casas, plantações e animais domésticos foram impactados”. A maioria se deslocou para a cidade fugindo da alagação, como ocorre em todas as cheias do Purus e o rio Acre. Nessa época do ano, o índice pluviométrico costuma a se elevar a marca dos 80 a 90 milímetros em face das chuvas torrenciais nesta região.
Na cidade de Lábrea, situação semelhante é encontrada com o registro alto índice de alagação das áreas mais baixas do centro e dos bairros periféricos, entre os quais, Vila Falcão, Barra Limpa, Nossa Senhora de Fátima e do Igarapé Julião. Além de atingir a zona ribeirinha conhecida como Beira Mar - que faz parte do complexo da orla fluvial – o maior ponto de concentração de famílias atingida pela força das águas (veja imagens) foi registrado no Médio Rio Purus.
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Já em Canutama, município próximo à Lábrea (cerca de 18 horas de embarcação), a subida do nível das águas não atingiu a marca da enchente anterior. Porém, a parte maior da Cidade Baixa chegou a ficar submersa. Em 2014 e 2022, as áreas conhecidas como Beira Rio foram alagadas, forçando as famílias residentes a se deslocar para a parte mais alta da cidade, região de terra firme (veja imagem).
Por sua vez, na calha do rio Madeira, a cidade de Humaitá, a 600 quilômetros da Capital Manaus, também, registrou altos índices de alagação com a enchente deste ano, depois do aumento do volume de chuvas na região no período da Páscoa. Com as chuvas, o nível dos afluentes do rio do Madeira subiu demais a partir do distrito de Calama, no município de Porto Velho. Nessa localidade sempre houve risco de desbarrancamento das encostas.
A cidade de Humaitá submersa
Deste Distrito porto-velhense à divisa com a localidade do Maici (município de Humaitá, Amazonas), a abertura das comportas das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, a cidade de Humaitá recebeu um grande volume da água represada, e fez com que ruas e avenidas do centro da cidade e dos bairros Santo Antônio, Olaria, do igarapé fossem interditadas obstruindo o tráfego de pedestres e veículos.
Por determinação do prefeito Dedei Lobo (União Brasil), a Prefeitura construiu passarelas em pontos críticos da cidade e foi, pessoalmente, às partes de alagamentos tomando todas as providências possíveis das, “enfrentando os transtornos causados pela enchente à população”, diz moradora da rua Monteiro, agradecida pela atitude tomada pelo Prefeito.
Prefeito DEDEI LOBO encara problemas da enchentes de frente
Por sua vez, ribeirinhos este ano receberam ajuda mais cedo com a entrega de cestas de alimentos, água mineral e outros donativos a fim de “amenizarem o nosso sofrimento no período das enchentes”, um resultado dos fenômenos naturais, ressaltou acadêmico do Serviço Social que testemunhou familiares serem contemplados com a ajuda humanitária proporcionada pelo Governo e Prefeitura de Humaitá.
A cidade de Humaitá, mais uma vez, é impactada por uma nova "grande cheia do Madeirão". Prefeitura continua na linha de frente
Na zona rural deste município e região de garimpo espalhados pela calha do rio Madeira (atividade ilegal combatida pela Polícia Federal, IBAMA e FUNAI), as fortes chuvas que caíram no Sul do Estado contribuíram para o estado de alerta em situação crítica. Foi o bastante para que o Governo Federal reconhecesse “que o município de Humaitá já se encontrava em Estado de Emergência”. A partir daí, a Prefeitura passou a contar com a ajuda da Defesa Civil Nacional para chegar até a população que mais precisa, da cidade à zona rural do município.
- Nesse caso, é o momento em que o caos começou a ser dissipado nas áreas atingidas pela enchente deste ano, uma tragédia motivada por fenômenos naturais diversos ou por algum outro fenômeno natural, arrematou o consultor João Roberto Soares, 53.


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