Aviões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançaram mais de 10 mil litros de água sobre áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas. A operação faz parte do reforço federal mobilizado para conter o avanço das chamas no estado, que enfrenta um aumento expressivo das queimadas e problemas de qualidade do ar em diferentes municípios.
Imagens divulgadas nesta terça-feira (13) mostram as aeronaves despejando água sobre os focos de incêndio. Os lançamentos permitem alcançar regiões de difícil acesso e apoiar o trabalho dos brigadistas em solo. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar as operações de combate ao fogo.
O reforço ocorre em um momento crítico para o Amazonas. Entre 1º e 10 de outubro, o estado registrou 1.380 focos de incêndio, contra 372 no mesmo período de 2025, um crescimento de aproximadamente 271%. Diante da situação, o governo federal reconheceu estado de emergência em 36 municípios amazonenses.
Aviões do Ibama reforçam combate aos incêndios no Amazonas
A utilização de aeronaves especializadas faz parte da estratégia federal para ampliar a capacidade de resposta aos incêndios que atingem áreas de floresta e regiões rurais do Amazonas.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a estrutura mobilizada inclui seis aviões Air Tractor, dois aviões KC-390, dois helicópteros e uma aeronave Caravan para apoio logístico.
Os aviões Air Tractor são utilizados para lançamentos rápidos e direcionados de água sobre os focos de incêndio. Já os KC-390 permitem transportar e lançar volumes maiores, enquanto os helicópteros auxiliam no combate em regiões de difícil acesso.
Segundo o balanço federal divulgado na segunda-feira (12), seis das 11 aeronaves mobilizadas já haviam chegado ao Amazonas e integrado as operações. A chegada dos demais equipamentos depende da organização logística e operacional.
O combate aéreo é especialmente importante em regiões onde as grandes distâncias, a vegetação densa e a dificuldade de acesso por terra comprometem o deslocamento das equipes.
Os lançamentos de água ajudam a reduzir a intensidade das chamas e facilitam a atuação dos brigadistas. Entretanto, o controle definitivo dos incêndios também depende do trabalho terrestre, do monitoramento das áreas atingidas e das condições meteorológicas.
Governo mobiliza 290 brigadistas federais
Além do reforço aéreo, o governo federal mobilizou 290 brigadistas para enfrentar os incêndios florestais no Amazonas.
Conforme comunicado oficial divulgado pelo Ibama, 250 profissionais já atuavam em campo e outros 40 estavam em deslocamento para reforçar as operações.
As equipes trabalham em conjunto com órgãos ambientais, bombeiros e profissionais especializados no monitoramento dos focos de fogo.
A operação envolve o Ibama, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Força Aérea Brasileira e estruturas estaduais de resposta a emergências.
As atividades incluem combate direto às chamas, deslocamento de equipamentos, identificação de áreas prioritárias e acompanhamento das condições que favorecem a propagação dos incêndios.
O Ibama informou ainda que, desde o início da temporada de incêndios florestais, havia extinguido 282 incêndios no Amazonas e continuava atuando em outros oito focos ativos, conforme balanço divulgado em 12 de outubro.
Incêndios no Amazonas aumentaram 271% em outubro
O crescimento das queimadas levou as autoridades a intensificar as ações de emergência no estado.
Dados do Painel do Fogo, ferramenta de monitoramento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam que o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro.
O sistema reúne informações sobre a localização, a evolução e a situação dos incêndios, auxiliando o planejamento das equipes de combate. O funcionamento da ferramenta é explicado pelo Ministério da Defesa.
Das 1.380 ocorrências registradas, 1.186 foram identificadas em áreas públicas, enquanto 93 atingiram propriedades privadas e outras 101 ocorreram em locais sem definição territorial.
O levantamento também identificou 174 focos associados ao desmatamento. Para os demais registros, não havia uma causa específica indicada pelo sistema.
O reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios permite acelerar o acesso a recursos destinados ao combate aos incêndios e à assistência às populações atingidas.
Entre as cidades afetadas estão Manaus, Autazes, Itacoatiara, Iranduba, Manacapuru, Humaitá, Lábrea e Parintins.
O avanço das queimadas e os impactos da fumaça sobre a população também foram detalhados em reportagem publicada pelo NC News sobre a emergência ambiental no Amazonas.
Autoridades investigam possíveis incêndios criminosos
A origem de parte das queimadas também está sendo investigada pelas autoridades ambientais.
Após sobrevoar áreas atingidas no Amazonas, o ministro interino do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, relatou a identificação de focos de incêndio em regiões de floresta preservada.
Segundo o ministro, a localização de algumas ocorrências levanta suspeitas de que o fogo tenha sido provocado intencionalmente para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento.
A hipótese ainda depende de investigação. Não há confirmação de que todos os incêndios registrados no estado tenham origem criminosa.
O Ibama também reforçou medidas preventivas em propriedades rurais localizadas em regiões consideradas críticas. Um edital publicado pelo órgão ambiental estabelece orientações e obrigações para responsáveis por imóveis rurais em municípios com elevado risco de incêndios.
Entre as medidas estão o manejo adequado de materiais combustíveis, o monitoramento das propriedades e a comunicação imediata às autoridades em caso de ocorrência de fogo.
Fumaça dos incêndios compromete qualidade do ar
Além da destruição da vegetação, os incêndios florestais no Amazonas provocam impactos diretos na saúde e na rotina da população.
Em Manaus, a concentração de fumaça levou a registros de qualidade do ar considerada péssima, com prejuízos à visibilidade e à realização de atividades ao ar livre.
Na sexta-feira (9), a prefeitura suspendeu aulas da rede municipal e atividades presenciais em órgãos públicos. Eventos municipais ao ar livre também foram suspensos preventivamente.
No interior, comunidades rurais enfrentam dificuldades provocadas pela fumaça e pelo avanço das chamas sobre áreas agrícolas e propriedades.
Em Itacoatiara, por exemplo, incêndios atingiram regiões de produção rural, provocando prejuízos a famílias que dependem da agricultura.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que o sistema Defesa Civil Alerta foi utilizado para orientar moradores sobre os riscos da fumaça e a necessidade de medidas de proteção.
Durante períodos de fumaça intensa, as recomendações incluem evitar exercícios físicos ao ar livre, manter portas e janelas fechadas quando necessário e reforçar a hidratação.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias precisam de atenção especial. Em caso de sintomas persistentes ou dificuldade para respirar, a orientação é procurar atendimento médico.
Próximos passos no combate às queimadas
A expectativa é de que as operações aéreas e terrestres continuem enquanto houver focos de incêndio ameaçando comunidades, propriedades e áreas de floresta.
As equipes deverão concentrar esforços no controle das chamas, na proteção das populações atingidas e no monitoramento das regiões com maior risco de propagação do fogo.
O combate também dependerá das condições meteorológicas, que podem facilitar ou dificultar os voos e a atuação dos brigadistas.
Ocorrências de incêndio podem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Denúncias de possíveis crimes ambientais podem ser encaminhadas ao Ibama pelo número 0800 061 8080.
A evolução das queimadas continuará sendo acompanhada pelos órgãos ambientais e pelos sistemas de monitoramento, enquanto o governo federal mantém a mobilização de equipes e equipamentos para enfrentar a emergência no Amazonas.

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