MANICORÉ (SUL DO AM) – Os garimpos ao longo do Vale do Rio Madeira, a começar pelas áreas de extração ilegal localizadas na dupla divisa dos estados de Rondônia e o Amazonas continuarão sendo combatidos pelo Governo até a sua extinção definitiva.

Foi o que afirmaram, nesta segunda-feira (8), fontes familiarizadas com a situação sob segredo da identidade à Reportagem diante do aumento do número de balsas e dragas de médio e grande porte apoitadas, e incendiadas no leito do Rio Madeira no formato de colônias e colmeias, “numa vã tentativa de obstruir a navegação no trecho de Humaitá a Manaus”.

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A destruição de equipamentos e embarcações ilegais que operavam em áreas de garimpos ilegais teve início no governo Jair Bolsonaro (2019-22). À época, as atividades garimpeiras ao longo do Rio Madeira e seus afluentes iam de vento em popa. Porém, passaram a ser destruídas, “mesmo com grande eleitorado garimpeiro ter votado nele para Presidente”, revelou dissidente do Partido Liberal (PL), em Manicoré.
Nos três primeiros anos do Governo Bolsonaro, os garimpeiros teriam sido iludidos pelo Governo da época em que “achavam que tudo estava dominado a partir das áreas auríferas do Vale do Madeira, Purus, Rio Negro, Juruá, Japurá, Solimões e em terras indígenas”, disse agente nos garimpos Tabulêta e Tambaqui.
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“Foi ledo engano e fofoca garimpeira jogada ao léu a partir dos porões do Palácio do Planalto, uma verdadeira estória da Carochinha”, acrescentou a fonte que esteve à frente de dragas financiadas por um ex-coronel reformado infiltrado em um órgão indígena que teria atuado ao longo dos garimpos do Tabulêta e do Tambaqui, já no final de 2021.
Atualmente, as forças de segurança federais retomaram com mais intensidade os “bombardeios” de dragas e balsas do tipo escarifuças espalhadas pelo Vale do Madeira, adentrando pela vez primeira os igapós e igarapés onde garimpeiros escapavam ilesos foi o que informou uma segunda fonte, desta feita, “voraz e ferozmente.
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“Para combater totalmente o garimpo ilegal no Vale do Rio Madeira e na Amazônia Ocidental Brasileira, é preciso que haja investimentos permanentes em pessoal qualificado e aquisição de equipamentos para monitoramento para uso por terra, água e pelo ar“, dizem analistas de Inteligência, supostamente, infiltrados em associações de trabalhadores rurais e nos próprios garimpos ilegais da dupla divisa entre os estados de Rondônia e Amazonas.

Ex-professor no bairro São José, na Zona Leste de Manaus, Sinesio Campos (PT), presidente da Comissão de Energia, Meio Ambiente e Mineração da ALEAM
Nas últimas décadas, a presença de garimpeiros na região mais que dobrou.
Apesar de não existir um dado único e consolidado sobre o tamanho exato da divisa entre Rondônia e o Amazonas, “o nosso Estado vem sendo invadido pelo território seco e pelos rios pelo agronegócio bovino, madeireiro e mineral”, apontam moradores das comunidades do entorno da localidade de Maici que confessaram viver assustados com o avanço dos garimpos ilegais, também, por ilhas e distritos do Baixo Rio Madeira no lado rondoniense.
Alguém conhece esse cidadão?
Por conta da situação, apesar das queimas de colônias inteiras de balsas garimpeiras ao Norte do Estado do Amazonas advindas da Capital Porto Velho (RO), Mato Grosso e do Sul do país, a recomendação feita pelo Ministério Público Federal (MPF-AM) para destruição total das balsas e equipamentos de garimpo num prazo recorde de dez dias, Cooperativas e Associações de garimpeiros advindas do lado portovelhense, continuam em atividades no Vale do Madeira.
Os garimpeiros envolvidos na extração ilegal de ouro ao Norte e Sul do estado do Amazonas, segundo informações, sempre tiveram envolvidos em atividades ilegais com o apoio de cooperativas com matrículas suspensas e/ou anuladas por força de decisões da Justiça Federal, no lado amazonense.
Essas entidades de caráter cooperativistas e associativistas têm sedes em Manaus (AM) e em Porto Velho (RO). No entanto, “os investimentos viriam do agronegócio do Centro-Oeste e do Sul do País, vez que o ouro é contrabandeado da região direto para a Bolívia através da cidade de Guajará-Mirim por meio individual ou por empresários bolivianos infiltrados nas cooperativas rondonienses que atuam no Sul do Amazonas.

Contingente da Marinha do Brasil em patrulha áreas garimpeiros dos rios
- Ainda assim, mesmo em estado falimentar, devido ao forte combate da Polícia Federal, IBAMA e a FUNAI nos garimpos locais, tentam se eternizarem nas atividades ilegais ao longo do Vale do Madeira, declaram vítimas de assaltos e/ou extorsão por grupos clandestinos que permeiam os garimpos dos dois lados da divisa entre Rondônia e Amazonas.
Com a suposta fragilidade no esquema total da destruição de balsas e equipamentos em funcionamento nos garimpos ilegais do Baixo Madeira no município de Porto Velho (RO), com epicentro nas localidades Belmont, Ilha Brasileira, distritos São Carlos e Calama e nos municípios de Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Norte e Autazes, no Amazonas, “as ações criminosas “tem facilitado o retorno das colônias de balsas (do tipo escarifuças e dragas de grande porte) em todo o leito do Rio Madeira.
Nesta parte do binômio garimpeiro, cuja atuação é considerado ilegal ao menos 30 anos, nem mesmo as intensas operações da Polícia Federal, dos órgãos ambientais e da Segurança Nacional “tem parecido assustar os garimpeiros em cada novo local com diferentes perfis de atuação”, aponta o consultor Carlos Roberto de Sena, 60, que diz que “os garimpos do Amazonas deveriam ser regulamentados para os ribeirinhos e mineradores familiares amazonenses”.

Mercúrio a venda interessados chamar no privado whatsapp. - Lojinha garimpeira afronta na venda de Mercúrio (MV) durante operações federais.
A Reportagem esteve em setores de controle de defesa e tecnologia que monitoram as repúblicas estaníferas e auríferas privadas acreditadas em Organizações Não-Governamentais (ONGs) não financiadas por Capital estrangeiro na Capital Porto Velho (RO) e em Manaus, pode receber extraoficialmente, a informação de que “as turbulências da garimpagem ilegal no Vale do Rio Madeira, com a exploração de ouro amazonense, ainda está muito longe de ser extinta por conta da má atuação da presidência e relatoria da Comissão de Energia, Mineração e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado, a ALEAM”.
- A ameaça do MPF-AM para destruir em dez dias as balsas de garimpos no Rio Madeira ainda não foi cumprida, por alguma razão óbvia, aponta o consultor João Lemes Soares, 53.
Em dados extraoficiais, apesar de estratégicos para os grupos econômicos brasileiros acusados de financiar os garimpos ilegais nos dois lados da dupla fronteira entre os estados de Rondônia e Amazonas, o ouro “Tipo Ouro 1000 “continua sendo contrabandeado para a Bolívia (BO), ao Centro-Oeste, São Paulo, Europa, Estados Unidos e Ásia, os principais destinos do mercado negro.
Helicóptero passando em Conceição. Áreas de garimpo ilegais sob intensa vigilância aérea
Apesar do combate das forças de segurança patrulhando por terra, ar e água, os garimpeiros atuam em cadeia na maior parte dos registros das ocorrências nos embates durante as operações de destruição de balsas e equipamentos. Com essa estratégia, “os garimpeiros viriam levando a melhor desde os incêndios dos prédios do ICMBio e do IBAMA, na cidade de Humaitá, em 2014 e as ameaças de 2024 de implosão das operações federais na cidade de Humaitá e Manicoré”, segundo analistas.
Recentemente, uma Organização Não-Governamental de caráter internacional disse que confirmou nova formação de colônias de balsas e equipamentos garimpeiros ao longo do Vale do Rio Madeira pelo lado amazonense “ainda continuam imunes às operações federais na região”. Grupos mais afoitos de garimpeiros costumam ameaçar, veladamente, a Polícia Federal em operação.
- Devagar, devagarinho, batem em retirada como o Diabo foge da Cruz quando são confrontados nas praças públicas e nos rios, revelam garimpeiros.
Esses grupos atuariam num só campo, apesar da frequência de destruição desses equipamentos, a maioria tem conseguido escapar adentrando rios, lagos e igarapés onde não seriam detectados pelos satélites, como já ocorreu no Lago dos Reis, Ilha do Antônio, Santa Rosa, Barragem, Tambaqui, Tabulêta, Lago do Acará, entorno do rio Marmelo e adjacências da Terra Indígena Tenharin.
Apesar da criação de novas cooperativas de garimpeiros na mesorregião amazonense do Madeira, a área de maior concentração de balsas do garimpo ilegal no lado amazonense foi detectado pela Reportagem, numa taxa maior de equipamentos reconstruídos, justamente onde foram destruídas e incendiadas, apontam analistas ambientas em que o número de novas balsas continua tendo um forte crescimento, à cada operação realizada.
Há possibilidade, nos principais focos da garimpagem ilegal, ter um forte crescimento da extração ilegal na divisa dos municípios de Humaitá e Manicoré, adentrando para a região dos municípios de Nova Olinda do Norte, Maués (rio Abacaxi) além das fundiárias dos garimpos já existentes como Tabuleta, Tambaqui, Barragem, Tambaqui e outros onde já haveria registro de mais de 130 balsas e dragas operando durante as extrações no período da noite em regime de colônia e colmeia no período noturno.

