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Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
INFRAESTRUTURA

CNA percorre BR-319 e aponta desafios para o escoamento da produção entre Rondônia e Amazonas

Expedição percorreu mais de 889 quilômetros da rodovia e visitou portos e terminais estratégicos para o transporte de cargas no Arco Norte

TUDO AMAZÔNIA
Por TUDO AMAZÔNIA
CNA percorre BR-319 e aponta desafios para o escoamento da produção entre Rondônia e Amazonas
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A situação da BR-319, corredor que conecta Porto Velho (RO) a Manaus (AM), voltou a ganhar atenção diante dos desafios enfrentados para transportar a produção e os insumos utilizados pelo setor agropecuário na Região Norte.

Entre os dias 9 e 13 de agosto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), acompanhada pelas Federações de Agricultura e Pecuária do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, realizou uma expedição para conhecer de perto as condições da infraestrutura utilizada no escoamento da produção. A comitiva percorreu mais de 889 quilômetros da BR-319 e visitou estruturas logísticas e portuárias em Rondônia e no Amazonas.

Comitiva percorreu mais de 889 quilômetros da BR-319 e visitou estruturas logísticas e portuárias em Rondônia e no Amazonas. Foto: CNA
Comitiva percorreu mais de 889 quilômetros da BR-319 entre Manaus e Rondônia. Foto: CNA

Expedição começou em Porto Velho

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A missão teve início em Porto Velho, onde a comitiva esteve na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon) e visitou estruturas das empresas Bertolini, Cargill e Mega Logística.

De Rondônia, o grupo seguiu para Humaitá, no Amazonas, onde conheceu as Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4).

A partir dali, a expedição continuou pela BR-319 até Careiro Castanho e Manaus, incluindo visitas ao Estaleiro da Bertolini, ao complexo do Encontro das Águas e ao Super Terminais.

A iniciativa buscou observar não apenas a condição da rodovia, mas todo o conjunto de estruturas utilizado para movimentar cargas na região.

BR-319 é estratégica para Rondônia

Para o presidente da Faperon, Hélio Dias, a recuperação da BR-319 ocorre em um momento importante para Rondônia, especialmente pela possibilidade de ampliar a integração com o mercado consumidor de Manaus.

O Amazonas representa um mercado relevante para produtos da agricultura e da pecuária de Rondônia. Ao mesmo tempo, a rodovia também é importante para a chegada de insumos utilizados pelos produtores rurais.

Durante a expedição, produtores da região relataram dificuldades tanto com a estrada quanto com a infraestrutura portuária. Foto: CNA
Durante a expedição, produtores da região relataram dificuldades tanto com a estrada quanto com a infraestrutura portuária. Foto: CNA

Em Careiro Castanho, a produtora Maria Izabel Melo Nogueira, que trabalha com cultivo de abacaxi, criação de aves e comercialização de ovos, relatou que a BR-319 é essencial para a atividade produtiva local.

A família mantém atualmente 15 mil pés de abacaxi plantados e depende da infraestrutura de transporte para receber insumos e comercializar a produção.

Estrada e portos fazem parte do mesmo problema

A expedição também mostrou que o desafio logístico da região não está restrito à rodovia.

Segundo a CNA, a comitiva visitou portos e terminais que integram o chamado Arco Norte, corredor fundamental para o transporte de produtos agropecuários brasileiros.

No terminal da Cargill, a missão recebeu informações sobre a movimentação de grãos pelos portos da região e sobre a infraestrutura hidroviária utilizada no escoamento da produção.

A hidrovia do Rio Madeira aparece como um dos principais corredores logísticos para a movimentação de cargas na região.

A CNA também destaca a necessidade de garantir condições adequadas de navegação e maior previsibilidade para o transporte hidroviário, incluindo ações relacionadas à dragagem, sinalização e segurança da navegação.

Seca também interfere na logística

Em Manaus, a comitiva visitou o Super Terminais, responsável por uma parcela significativa da movimentação de cargas da capital amazonense.

Segundo informações apresentadas durante a visita, o terminal movimentou 150 mil contêineres em 2025 e responde por aproximadamente 50% da carga que entra e sai de Manaus.

Foto mostra obras da BR-319, que liga Manaus a Rondônia. Foto: CNA
Foto mostra obras da BR-319, que liga Manaus a Rondônia. Foto: CNA

O período de seca dos rios também representa um desafio. Com a redução do nível das águas, diminui a capacidade de ocupação dos navios e, em situações mais severas, algumas operações podem precisar ser direcionadas para outros portos.

Impacto chega ao custo da produção

A infraestrutura logística interfere diretamente na competitividade do produtor.

Estradas em condições precárias aumentam o tempo de viagem, o consumo de combustível, os custos de manutenção dos veículos e o risco de perdas. Ao mesmo tempo, dificuldades nos portos e nas hidrovias podem aumentar o tempo necessário para que a produção chegue ao mercado.

Na avaliação da CNA, melhorar a integração entre rodovias, hidrovias e portos é fundamental para ampliar a eficiência logística e reduzir custos. Foto: CNA
Na avaliação da CNA, melhorar a integração entre rodovias, hidrovias e portos é fundamental para ampliar a eficiência logística e reduzir custos. Foto: CNA

O problema também aparece na direção contrária: insumos como milho e soja utilizados na produção pecuária precisam chegar às propriedades da região.

Próximos passos

Ao final da expedição, a CNA informou que irá elaborar um relatório com as informações levantadas durante a viagem. O documento deverá ser apresentado posteriormente a autoridades responsáveis pela infraestrutura e logística e a parlamentares.

A entidade considera a BR-319 um corredor estratégico para a integração da Amazônia Ocidental e para o fortalecimento do Arco Norte como rota de escoamento da produção brasileira.

A discussão ultrapassa, portanto, a situação de uma única rodovia. Trata-se de conectar produtor, indústria, portos e mercado consumidor, reduzindo obstáculos para que alimentos, insumos e demais produtos circulem pela região.

 

FONTE/CRÉDITOS: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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